Abelhas selvagens estão desaparecendo por causa do uso de pesticidas

Publicado em 11/10/2016

Pesquisadores alertam que os agrotóxicos utilizados na agricultura também são prejudiciais para outros polinizadores, como as borboletas.

Abelhas selvagens estão desaparecendo por causa do uso de pesticidas
Foto: DivulgaçãoFoto: Geoffrey Williams, Universität Bern / Agroscope

Novos estudos voltam a denunciar os efeitos nocivos dos pesticidas sobre as abelhas. E não é só. Pesquisadores alertam que os agrotóxicos utilizados na agricultura também são prejudiciais para outros polinizadores, como as borboletas.

As evidências fazem parte de uma série de estudos divulgados recentemente. Em todos eles, o foco recai sobre um tipo específico de pesticida: os neonicotinóides.

No estudo Impacts of neonicotinoid use on long-term population changes in wild bees in England,  realizado pelo Centre for Ecology and Hydrology do Reino Unido, cientistas apontaram o declínio da população de 62 abelhas selvagens na Inglaterra, entre os anos de 1994 e 2011 – período este em que os  neonicotinóides tornaram-se bastante populares e seu uso intensificado.

De acordo com o documento produzido pelos pesquisadores, “há evidência de aumento da média de populações extintas em áreas de plantação de canola, onde o pesticida foi aplicado”. A morte de abelhas nestas lavouras, que fizeram uso de neonicotinóide, foi três vezes maior do que nas demais.

Derivado da nicotina, os neonicotinóides são usados para controlar pragas. O grande diferencial deste agrotóxico é ser sistêmico, ou seja, ele se espalha por toda a planta: folhas, flores, ramos, raízes e até, néctar e pólen. Em geral, ele é colocado na semente e a partir daí, toda a planta fica com vestígios dele.

Em 2014, o neurobiologista alemão Randolf Menzel apresentou um estudo em que afirmava que três tipos de neonicotinóides afetavam diretamente receptores do cérebro das abelhas, prejudicando o senso de direção e a memória delas, fazendo com que tivessem mais dificuldade para retornar à colméia.

Há poucas semanas, veio da Suíça – da Universidade de Berna e do Centro de Excelência de Pesquisas Agronômicas (Agroscope) –  mais dados que comprovam os efeitos nocivos do agrotóxico sobre as abelhas: o pesticida diminui a vida útil e a quantidade de espermas dos machos.

Em alguns países da Europa, como França, Alemanha e Itália, o uso dos neonicotinóides é parcialmente proibido, ou seja, ele seja pode ser utilizado em determinadas culturas e situações. No Brasil, o pesticida é liberado. Dados de 2008 mostram que os neonicotinóides representavam 80% dos inseticidas utilizados mundialmente no tratamento de sementes (24% do mercado total de pesticidas).

As empresas fabricantes de produtos com neonicotinóides negam que a substância faça mal às abelhas, apesar de toda evidência científica.

Borboletas em declínio

Outro inseto que pode estar sendo afetado pelos neonicotinóides é a borboleta. Cientistas americanos da Universidade de Nevada são os autores do estudo “Increasing neonicotinoid use and the declining butterfly fauna of lowland California, em que relatam o declínio dramático das borboletas na região noroeste da Califórnia a partir dos anos 90 e no decorrer das últimas décadas.

Os resultados da pesquisa revelam que borboletas menores e com taxas mais baixas de reprodução por ano são as mais afetadas. E quanto maior o volume do pesticida usado, maior é a queda da população de insetos.

Estima-se que quase 10% da produção global de alimentos dependa da polinização de insetos, como as abelhas selvagens, que possuem um papel essencial para que frutas, verduras e cereais saudáveis cheguem até a nossa mesa.

Fonte: Suzana Camargo :Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

 
 

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