Alterações climáticas podem levar mais de 122 milhões de pessoas à pobreza.

Publicado em 20/10/2016

O crescimento populacional será concentrado nas regiões onde hoje já há maior prevalência de subnutrição e maior vulnerabilidade às alterações climáticas.

Alterações climáticas podem levar mais de 122 milhões de pessoas à pobreza.
Foto: Divulgação

A Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) das Nações Unidas alertou, em 17 de outubro, para a urgência de ajudar o setor agrícola a adaptar-se às alterações climáticas, que poderão deixar mais de 122 milhões de pessoas na pobreza.

"A menos que sejam tomadas medidas agora para tornar a agricultura mais sustentável, produtiva e resiliente, os impactos das alterações climáticas vão comprometer gravemente a produção alimentar em países e regiões que já enfrentam uma alta insegurança alimentar", escreveu o diretor-geral da organização, José Graziano da Silva, no prefácio de um relatório.
 
 
 
 
 
 
 
Resultado de imagem para poBREZA NO MUNDO
 
Intitulado O estado da Alimentação e da Agricultura, o relatório sublinha que, se não houvesse alterações climáticas, a maioria das regiões deveria reduzir o número de pessoas em risco de pobreza até 2050.
No entanto, com as mudanças no clima e se nada for feito estima-se que entre 35 e 122 milhões de pessoas entrem para a faixa de pobreza. Isto deve-se sobretudo aos impactos negativos do aquecimento global no setor agrícola.
Os mais afetados seriam as populações nas zonas mais pobres da África subsaariana e do Sul e Sudeste Asiático, especialmente os que dependem da agricultura para viver.
 
 
Resultado de imagem para poBREZA NO MUNDO
 
Graziano da Silva defende que a fome, a pobreza e as alterações climáticas têm de ser abordadas em conjunto, "por um imperativo moral, porque aqueles que hoje mais sofrem são os que menos contribuíram para as alterações climáticas".
O relatório da FAO recorda que para manter o aumento da temperatura global abaixo do teto de 2°C, as emissões de gases de efeito estufa terão de diminuir 70% até 2050, o que só será possível com o contribuição dos setores agrícolas.
Estes setores são responsáveis por, pelo menos, um quinto de todas as emissões, principalmente devido ao desmatamento para converter florestas em terra cultivada e também devido à pecuária e à produção agrícola.
No entanto, escrevem os autores, os setores agrícolas enfrentam um duplo desafio: reduzir as emissões de gases de efeito estufa ao mesmo tempo e aumentar a produção de alimentos para saciar uma população crescente e cada vez mais rica.
Estima-se que a procura global por alimentos em 2050 seja pelo menos 60% maior do que em 2006, mas o crescimento populacional será concentrado nas regiões onde hoje já há maior prevalência de subnutrição e maior vulnerabilidade às alterações climáticas.

Foco nos pequenos proprietários

O relatório reconhece que reformular a agricultura e os sistemas alimentares será um processo complexo, devido ao vasto número de partes envolvidas, à multiplicidade dos sistemas agrícolas e de produção alimentar e às diferenças nos ecossistemas.
No entanto, alerta, os esforços têm de começar agora, porque os impactos das alterações climáticas só piorarão com o tempo e se nada for feito os países mais pobres terão, no futuro, de enfrentar simultaneamente a fome, a pobreza e as mudanças climáticas.
 
Resultado de imagem para poBREZA NO MUNDO
 
Nas palavras de Graziano da Silva, "os benefícios da adaptação ultrapassam os custos da inação com margens muito grandes".
Nas vésperas da 22ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, que começa em 7 de novembro em Marrocos, o relatório sublinha que o sucesso da transformação da agricultura depende em grande medida da ajuda aos pequenos proprietários na adaptação às mudanças climáticas.
Estima-se que haja nos países em desenvolvimento cerca de 475 milhões de famílias de pequenos proprietários que produzem em contextos socioeconômicos e condições agroecológicas muito distintas, por isso não existe uma só resposta.
No entanto, a FAO descreve no relatório algumas formas "alternativas e economicamente viáveis" de ajudar os agricultores a se adaptarem e especificamente a partir da adoção de práticas inteligentes, como o uso de variedades de culturas eficientes na fixação de nitrogênio e tolerantes ao calor.
A adoção generalizada de práticas nitrogênio-eficientes, por exemplo, permitiria reduzir em mais de 100 milhões o número de pessoas em risco de subnutrição, estima o relatório.
 

Categorias: Notícias

Comentários

 

 

Mais Notícias

Página 1 de 90