Contaminação da água ameaça a saúde de 320 milhões em todo o mundo

Publicado em 12/09/2016

A contaminação patógena e orgânica aumentou 50% nos rios e lagos da África, América Latina e Ásia, aponta relatório das Nações Unidas

Contaminação da água ameaça a saúde de 320 milhões em todo o mundo
Foto: Divulgação

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), mais de 320 milhões de pessoas estão sob risco de contrair doenças potencialmente fatais, como o cólera e a febre tifoide, devido ao aumento da contaminação das águas de superfície na África, América Latina e Ásia.

Em relatório sobre a situação mundial da qualidade de água publicado nesta semana, o Pnuma também alerta para os impactos do aumento da contaminação da água sobre a produção agrícola, o que pode impactar diretamente a subsistência de outros milhões de pessoas, principalmente nos países mais pobres e nas comunidades mais vulneráveis.

“A quantidade cada vez maior de efluentes descarregados em nossas águas superficiais é muito preocupante”, aponta Jacqueline McGlade, diretora científica do Pnuma. “O acesso à água de qualidade é essencial para a saúde e o desenvolvimento humano. Ambos enfrentam riscos se não conseguirmos para a contaminação”.

As principais causas para o aumento da contaminação das águas superficiais nesses três continentes são o crescimento demográfico, o aumento da atividade econômica, a expansão e intensificação da agricultura, e a maior quantidade de efluente não tratado que é despejado nos rios e lagos dessas regiões. De acordo com o relatório, a contaminação patógena e a contaminação orgânica aumentaram mais de 50% nas vias fluviais entre 1990 e 2010, enquanto a contaminação salina (pela água oceânica) aumentou em quase 1/3.

No caso da contaminação patógena, quase 25% dos rios e lagos latino-americanos estão contaminados por esgoto. Na Ásia, a contaminação desse tipo chega a 50% das águas superficiais. Cerca de 3,4 milhões de pessoas morrem anualmente por enfermidades associadas com patógenas na água, como o cólera, a febre tifoide, a hepatite, a poliomielite, entre outras. O Pnuma estima que até 25 milhões de pessoas estão sob risco de infecção na América Latina, 134 milhões na Ásia e 164 milhões na África.

Já no caso da contaminação orgânica (presença de compostos orgânicos degradáveis), quase um em cada sete quilômetros de vias fluviais nos três continentes estão infectados. Esse tipo de contaminação ameaça a pesca em águas doces, atividade que dá emprego a 21 milhões de pescadores na África, América Latina e Ásia.

A situação apontada pelo relatório é crítica, mas, por enquanto, ainda é reversível. “Afortunadamente, é possível começar a restaurar os rios que já estão gravemente contaminados, e está claro que temos tempo para impedir que mais rios sejam contaminados. É de vital importância que o mundo se una para combater essa crescente ameaça”, adverte McGlade.

De acordo com o relatório do Pnuma, é necessário melhorar os processos de monitoramento da água, especialmente nos países em desenvolvimento, para compreender a magnitude do problema em todo o mundo e poder identificar os pontos mais críticos. Com essas informações, existem ferramentas e métodos disponíveis para reduzir a contaminação na fonte, tratar as águas contaminadas antes que elas cheguem aos corpos d’água, reciclar os efluentes e proteger os ecossistemas.

Fonte: Snapshot of the World’s Water Quality 


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